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  • Carvalho Pereira Fortini

ESTE ESTRANHO MUNDO, BRASIL!

Roger Sejas - Sócio nos escritórios Carvalho Pereira Pires Fortini e Rossi e Sejas Advogados Associados


Olhando e analisando de longe o espetáculo protagonizado em nossa ordem jurídica exposta na imprensa, confesso que de um lado até fico envaidecido pelo lugar de destaque que o Advogado vai tomando no cenário nacional.


Cada vez mais, assume uma condição de relevo tanto nas ações positivas das operações policiais de sucesso que se efetivam, como também, no pior plano, quando surgem para justificar as medidas jurídicas – legítimas até – tomadas para evitar depoimentos, suspender investigações, processos, etc... Curioso que a vitória deste técnico do Direito no exercício do seu ofício é a agrura do senso comum. Ah sim, não nos esqueçamos de que o sentimento de Justiça nem sempre é atrelado ao da eficiência e a força motriz do razoável e indispensável pensamento do que seja Justo não perpassa pela via procedimental adequada, pela ritualística que sutilmente arvora sobre o resultado esperado.


Mas, a constatação não é para descortinar a admiração ou lamento ao Advogado e seu agir (não que dispense esta consideração), todavia, ressaltar a conotação de que os fato jurídicos ganham proporção desmesurada nos noticiários convocando o imaginário do cidadão comum ao exercício crítico por tudo aquilo que sucede, idealizando as consequências advindas de cada movimento tomado neste contexto.


E por aí pipocam entrevistas que bem esclarecem acerca dos procedimentos jurídicos colocados à mesa, notícias elucidando os caminhos legais dispostos às partes envolvidas, considerações, pareceres e opiniões que se opõem na retórica argumentativa de sustentar os atos de lado a lado, infográficos, esquemas articulados, enfim uma gama de informação qualificativa do leigo que não deixa de, querendo, claro, compreender a intrincada situação que permeia a atual conjuntura da comunidade jurídica, transcendendo os limites desta, mas, habilitando-o a promover o seu juízo de valor.


Desta forma, em rodas de bares, lanchonetes ou até mesmo num ambiente formal prévio a qualquer reunião, não faltam comentários acerca das manobras jurídicas escolhidas por uns para se beneficiar de prazos prescricionais, dos recursos doutros para obter prerrogativas jurídicas que atenuam sua pena, dos empecilhos criados por alguns para impedir ou trancar ações, investigações ou procedimentos regimentais, e até mesmo, há aqueles mais ousados criticando as decisões de Magistrados em todos os níveis e instâncias, melhor dizendo e adequado ao conhecimento prático geral.


Fato é que não se pode ignorar a sabença popular de que “de Advogado e louco todos têm um pouco”... No entanto, espera aí: - comentar o erro ou acerto do Ministro quanto à decisão que determina a prisão do réu condenado em 2ª instância é uma coisa, entender por que passamos por essas circunstâncias peculiares em nosso cotidiano é outra! Hum, então aí está o lado nosso “Louco”! Sim, porque quem compreenderia – ou poderia explicar - este momento de vívidas patranhas desarticuladas e escancaradas a rodo confrontadas com as escusas mais impróprias, as quais tripudiam de nossa parca inteligência?


Pior, qual a plausibilidade de se conviver com o ilícito e acabar por consentir com as mesmas na medida em que inertes vemos os protagonistas agirem com escárnio da nossa cara? Só mesmo num nível de sobeja insensatez para aquiescer às atitudes experimentadas diariamente e ainda reunir forças para reunir a família, confraternizar com amigos, soltar o grito de gol ou cantarolar músicas de carnaval, como se paralelamente ao cotidiano real - aquele que lhe impõe um ônus pesado de contas vencendo, empregos escassos, impostos majorados, ressuscitados para suprir os excessos da gestão, dívidas se acavalando, desvios milionários de dinheiro de empresas públicas, abuso e apropriação indevida de recursos públicos – ainda é possível ser feliz!


É, verdadeiramente, somos brasileiros - qualificadíssimos e loucos - portanto, não haveremos de desistir nunca!

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© 2019 Carvalho Pereira Fortini